Fabricação Digital: A Tecnologia Atual para Projetar o Futuro.

Edição Original lançada no dia 02/11/2020


Combater os desperdícios, materiais e financeiros, são uns dos maiores desafios que o setores da arquitetura, urbanismo e engenharia enfrentam atualmente. Estudos comprovam que no Brasil, infelizmente, desperdiçamos cerca de 850 mil toneladas de materiais em um único mês. Isso acontece pois, no nosso país, ainda persistem os métodos tradicionais de construção como a utilização de concreto moldado in loco e alvenaria em tijolos cerâmicos.

Diante desse cenário, a fabricação digital é uma das soluções que surge para combater esses gastos exagerados, tempo de obra excessivo e dificuldade de produção. O conceito inovador consiste na produção de objetos físicos diretamente a partir de modelos digitais, no diálogo computer-aided design (CAD) / computer-aided manufacturing (CAM). Ou seja, máquina que interpretam automaticamente desenhos digitais transformando-os em objetos físicos.

Uma grande potencialidade desses equipamentos é o de aproximar o arquiteto da execução, eliminando intermediários, possibilitando que controlem o processo com mais precisão. Essas tecnologias também permitem uma revisão da lógica fordista da produção em série. O autor Branko Kolarevic defende que para essas máquinas produzirem 1000 peças iguais ou 1000 peças diferentes podem ter o mesmo custo e o mesmo tempo de produção.

Pensando em explorar esses novos métodos, um dos primeiros grupos de pesquisa da faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, fundado pelos professores Charles Vincent e Eduardo Nardelli, chegou até a desenvolver um módulo de uma casa em escala real dentro do campus Higienópolis, você provavelmente já deve ter visto ela no Bosque em frente ao prédio 9. A maquete denominada MackHaus é a segunda desenvolvida pelo grupo, já que a primeira não foi finalizada por erros projetuais. O modelo foi construído a partir de uma tese de mestrado do arquiteto Eduardo Campolongo, no qual propôs aos outros colegas pesquisadores mudanças arriscadas na técnica construtiva.

É importante ressaltar que essa é apenas mais uma de muitas etapas que estão por vir e que, segundo o professor Luís Backheuser, integrante da equipe do projeto, o grupo não vê um fim tão próximo para as pesquisas. Além disso, o Mackenzie não é a única instituição estudando a implantação da fabricação digital na arquitetura, há diversos outros projetos espalhados pelo Brasil, a exemplo do trabalho da Clarice Rodes da FAU-UFRJ, pioneira no assunto.

Por todos esse fatores, é cada vez mais clara a importância de se desenvolver e aplicar a criação digital, pesquisa e investimento nessa própria fabricação, levando em consideração suas vantagens de acessibilidade, eliminando intermediários. Como o professor e arquiteto Luiz Backheuser diz, percebemos a arquitetura com o corpo inteiro e não só com os olhos, comprovando que precisamos prezar por uma arquitetura mais pessoal, quebrando a ideia de individualização e abrindo espaço maior para criação compartilhada. 

Escrito por: Ana Beatriz Carrion, Ana Luiza Santos Fernandes de Faria e Afonso Bogdan Leão Bruno